Tecnologia limpa obtém óleo de urucum e sementes desengorduradas livres de resíduos tóxicos
Originalmente publicado em Inova Unicamp

 

Um método para extração de óleo de urucum e de sementes desengorduradas no estado supercrítico – ou seja, em temperaturas e pressão acima do ponto crítico e que utiliza gás carbônico como solvente – foi desenvolvido na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA). Em 2015, o processo foi licenciado para a empresa Rubian Xtract, atualmente estabelecida na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp). Voltada para a saúde e bem-estar, a Rubian desenvolve pesquisas de produtos e serviços para a obtenção de extratos vegetais de alta qualidade.

A professora Maria Ângela de Almeida Meireles, da FEA, é a responsável pelos estudos que originaram o processo e explica que a tecnologia é baseada na remoção da camada de lipídeos – compostas por carbono, hidrogênio e oxigênio, fisicamente caracterizadas por serem insolúveis em água e solúveis em solventes orgânicos, como o álcool, benzina, éter, clorofórmio e acetona – que envolve o fruto. “Os lipídeos e os terpenos protegem e dificultam a extração das substâncias que atribuem cor, a bixina e a norbixina. A remoção desta camada traz como benefícios: permitir a extração do óleo de urucum, um produto muito rico em antioxidantes, e a obtenção dos compostos corantes da semente desengordurada”, afirma. Segundo a professora, devido às propriedades do urucum e aos benefícios encontrados na tecnologia, o processo pode ser empregado nos setores alimentícios, nutracêuticos, de cosméticos e farmacêuticos.

Dentre os principais diferenciais da tecnologia licenciada estão o melhor aproveitamento do óleo de urucum, produto de alto valor agregado e normalmente descartado pelos processos convencionais de obtenção de colorantes, e o fato de ser uma tecnologia limpa – uma vez que resulta em um óleo e sementes livres de resíduos tóxicos. O processo gera, simultaneamente, óleo de urucum rico em tocotrienol – que faz parte da família da vitamina E – e sementes desengorduradas, com uma perda menor que 0,01% de concentração da bixina para posterior extração de corantes, sem acúmulo de resíduos ou solventes. “A utilização de gás carbônico torna o processo limpo e sem agentes tóxicos”, completa Alex Matioli, graduado em gestão do Agronegócio e gerente financeiro da Rubian.

A empresa licenciada acredita também no potencial da bixina existente na semente de urucum, substância com alto poder colorante, sendo um dos principais compostos utilizados na indústria de corantes naturais para alimentos. Na opinião de Matioli, sementes desengorduradas possibilitariam um rendimento maior em processos de extração utilizados por indústrias de corantes por possuir baixo teor de óleo, o que é tido como um inconveniente em tais processos. Outro fator relevante é que as sementes de urucum possuem uma fina camada composta de lipídeos, rica em tocotrienóis, nutriente essencial para o corpo – e terpenos, importante fármaco que atua como coadjuvante no combate a diversos tipos de câncer.

“Além de ser um processo limpo e que possibilita a extração de óleos na natureza real de seus produtos, o tocotrienol vem sendo apontado como a próxima geração da vitamina E porque contém alta atividade antioxidante, de redução do envelhecimento, colesterol e de prevenção do câncer. Tais características tornam o óleo gerado no processo atrativo para a indústria. Os benefícios desta tecnologia para o meio ambiente, assim como os impactos sociais de seus produtos finais foram os motivadores para o licenciamento”, defende Matioli.

A principal motivação para o desenvolvimento deste processo foi o de facilitar a obtenção dos compostos corantes e o de obter um produto de grande potencial tecnológico dado à composição do óleo de urucum. “Na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), foi realizado estudo da casca do fruto – a cachopa – onde ficam as sementes, em que se constatou que é fonte de Nitrogênio, podendo ser usado como adubo e energia, através da queima da biomassa. Outros estudos estão sendo executados para avaliar a ação bactericida dos extratos da cachopa. A intenção é também agregar valor aos subprodutos dos processos de produção do óleo e corantes de urucum, através do aproveitamento integral”, aponta Carolina Lima Cavalcanti de Albuquerque, então aluna de doutorado durante o desenvolvimento do processo e que, atualmente, é professora da UFPB.

Muito embora a tecnologia ainda não esteja integralmente implantada na empresa, o gerente financeiro diz que há grandes possibilidades de exploração não apenas do urucum, mas também de outras plantas da biodiversidade brasileira, sempre levando em conta o fator sustentável deste processo. O trabalho da startup com a tecnologia teve início durante a edição de 2014 do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica, no qual a equipe foi finalista e teve a oportunidade de começar a elaborar um modelo de negócios para a patente, depositada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2013.

Tanto na visão dos responsáveis pela tecnologia, quanto da empresa licenciada, a Agência de Inovação Inova Unicamp teve um papel importante durante o Desafio Unicamp e também após a competição, fato que possibilitou o licenciamento do processo. “A Inova nos deu suporte para viabilizar os estudos e parcerias entre laboratórios, assim como o amparo de profissionais para esclarecer dúvidas técnicas e jurídicas”, finaliza Matioli.

 

Patente licenciada: Processo de obtenção de urucum e sementes desengorduradas – BR 10 2013 003314 6

Tipo de licenciamento: não exclusivo

 

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