Tecnologia da Unicamp com urucum vira nutracêutico para reduzir gordura no fígado

Tecnologia da Unicamp com urucum vira nutracêutico para reduzir gordura no fígado

Reportagem originalmente publicada no website da INOVA UNICAMP

 

O PRODUTO DESENVOLVIDO PELA RUBIAN EXTRATOS, EMPRESA-FILHA DA UNICAMP, É BASEADO EM TECNOLOGIA DE EXTRAÇÃO SUPERCRÍTICA, QUE FOI LICENCIADA COM APOIO DA INOVA UNICAMP

 

Texto: Caroline Roxo | Foto: Arquivo Pessoal Eduardo Aledo

As pesquisas conduzidas na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) estão trazendo novas opções de tratamento para doenças associadas ao excesso de peso, baseadas na biodiversidade brasileira. A mais nova inovação surgida das bancadas da Unicamp está em um extrato da semente do urucum. O produto com tecnologia patenteada da Universidade foi lançado recentemente pela empresa-filha da Unicamp, Rubian Extratos, após um trabalho que envolveu pesquisadores da Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) da Unicamp.

A semente de cor avermelhada amplamente usada como tempero na culinária e nativa do Brasil começou a ser pesquisada pela equipe do professor Mário Roberto Maróstica Júnior e contou com o recurso aprovado pelo Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), com a participação das pesquisadoras Juliana Kelly e Milena Vuolo para seu desenvolvimento. Os estudos com o urucum revelaram um potencial surpreendente: a extração de um complexo de substâncias presentes na semente é capaz de reduzir o acúmulo de gordura no fígado. 

“Atualmente, em um mundo onde a obesidade e problemas metabólicos são crescentes preocupações de saúde, a colaboração entre academia e indústria é essencial. Essa história de sucesso exemplifica como a ciência e a tecnologia podem se unir para criar soluções inovadoras que impactam positivamente a vida das pessoas”, expõe o pesquisador Mário Maróstica, que comemora a chegada de mais uma tecnologia da Unicamp ao acesso da população.

 

DO LABORATÓRIO DA UNICAMP AO ACESSO DA POPULAÇÃO 

A pesquisa que deu origem ao nutracêutico teve seu primeiro pedido de patente depositado para processos extrativos, coordenados pela professora Mariângela Meirelles, em 2013. Os estudos foram intensificados visando o processo de atuação da semente do urucum no metabolismo de lipídios. Das pesquisas no laboratório da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (FEA) até a disponibilização do complexo para o consumo humano, o trabalho envolveu um processo conhecido como transferência de tecnologia.

A Unicamp não comercializa produtos, de forma que a transferência de conhecimentos pelo licenciamento de tecnologias é uma das formas de promover a inovação baseada na ciência produzida na Universidade. Na Unicamp, a Agência de Inovação Inova Unicamp é a responsável por intermediar esse processo, dando suporte técnico aos docentes e pesquisadores.

O resultado dessa interação com a empresa Rubian Extratos, criada por ex-alunos da Universidade a partir da competição Desafio Unicamp e graduada na Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), contribuiu com a formação de novos profissionais, e também resultou na criação do nutracêutico em pó. Nessa nova fase, os estudos avançaram com desenvolvimentos complementares realizados em colaboração com a Rubian Extratos.

“A empresa chegou a um extrato, um produto, com uma composição intrigante e conduzimos pesquisas para entender como esses compostos poderiam efetivamente contribuir no combate a doenças crônicas, como a obesidade. Os testes revelaram promissores resultados na redução do tecido adiposo quando os indivíduos foram tratados com esse óleo”, relata Marostica.

Em 2022, o estudo chegou ao complexo oleaginoso extraído da semente do urucum (Bixa orellana) para atuação na redução da gordura do fígado em pessoas obesas ou com quadros de sobrepeso. Com os avanços nas pesquisas, a invenção teve um segundo depósito de patente realizado em co-titularidade da Unicamp com a Rubian e deu origem ao produto que está no mercado.

O Colliv, como é chamado, usa tecnologias da Unicamp e foi lançado pela Rubian Extratos. O produto está atualmente em processo para obtenção do registro na linha industrial solicitado junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sendo comercializado com apoio da farmacêutica Infinity Pharma, com distribuição no mercado magistral para todo o Brasil através de farmácias de manipulação.

 

RELEVÂNCIA DA TECNOLOGIA PARA OS PRÓXIMOS ANOS NA REDUÇÃO DA GORDURA NO FÍGADO

O nutracêutico é uma categoria de suplemento alimentar que inclui em sua formulação compostos bioativos extraídos de alimentos, oferecendo uma variedade de benefícios para a saúde. É o caso da semente de urucum, que se destaca por sua ampla gama de ações no organismo, trazendo vantagens significativas no que diz respeito a questões metabólicas, com enfoque na redução da gordura hepática, também conhecida como esteatose hepática.

O produto concentra seus esforços em pessoas que enfrentam a obesidade ou estão em situação de sobrepeso, uma vez que essa condição representa um fator de risco para o desenvolvimento de doenças hepáticas, como o acúmulo de gordura no fígado. De acordo com o Atlas 2023 da Federação Mundial da Obesidade, há uma projeção de que, nos próximos 12 anos, mais de 4 bilhões de pessoas em todo o mundo estarão enfrentando problemas relacionados ao excesso de peso.

Diante desse cenário, essa tecnologia emerge como uma aliada no combate a diversas enfermidades, auxiliando na regulação dos níveis de colesterol, redução de gordura hepática, e modulação da glicemia, contribuindo para a prevenção da diabetes tipo II.

“O fígado é central em nosso metabolismo. O centro do metabolismo fica prejudicado quando você está com aumento de gordura no fígado e isso leva a um mal funcionamento hepático, colocando em risco a vida dessas pessoas”, explica Mário Maróstica, pesquisador responsável pela inovação.

 

SEGURANÇA E SUSTENTABILIDADE 

Para fazer a extração do complexo oleaginoso da semente do urucum é utilizado o processo de extração por fluido supercrítico. Esse processo extrai uma variedade de fitoquímicos do urucum, todos com propriedades benéficas para a redução da gordura hepática. Eduardo Aledo, co-fundador da Rubian Extratos, explica que o processo de extração é ambientalmente responsável.

“O dióxido de carbono (CO2) é utilizado como solvente, mantendo os principais fitoquímicos intactos do produto e oferecendo ainda uma extração sustentável, pois o CO2 é posteriormente recuperado para ser reutilizado”, comenta Aledo.

No que diz respeito à segurança e às orientações sobre o uso do produto, Marostica conduziu testes de toxicidade hepática no fígado e não encontrou qualquer indício de toxicidade ou riscos à saúde humana. Além disso, o produto não possui contraindicações e pode ser prescrito a qualquer pessoa que apresenta quadros de obesidade ou sobrepeso.

Embora não seja obrigatória a apresentação de receita médica, é recomendado a prescrição por profissionais de saúde para indicar a dosagem adequada ao paciente, como explicou Aledo, “não é exigida uma receita, mas, devido à sua indicação clínica, o produto deve ser recomendado por um médico”.

 

SOBRE A RUBIAN EXTRATOS 

A tecnologia do urucum foi o que deu origem a Rubian Extratos, uma empresa que surgiu a partir da competição de empreendedorismo Desafio Unicamp, no ano de 2015. O programa estimula o desenvolvimento de modelos de negócio a partir de tecnologias da Unicamp, com capacitações gratuitas para seus participantes.

A Rubian Extratos atua no desenvolvimento de produtos e processos inovadores na área de bem-estar e saúde e possui como principal objetivo levar tecnologias desenvolvidas na Universidade para a sociedade. A empresa já lançou dois produtos no mercado, o Metabody e um complexo antioxidante chamado Rejuvenate, ambos com tecnologias da Unicamp. O produto Colliv, o terceiro desenvolvido pela empresa, está atualmente sendo comercializado com o apoio da farmacêutica Infinity Pharma.

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